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sábado, 9 de julho de 2011

Eu por mim - Marcos 5.25

Pra falar a verdade, eu nem lembro como começou. Fazia tanto tempo que eu estava doente, que eu não consigo puxar na memória quando foi que isso começou.
Lembro do primeiro laudo do médico aqui da região, que dizia que não tinha jeito, eu deveria apenas ser afastada do convívio das pessoas. E foi assim que tudo começou.
A criadagem começou a ser dispensada, porque eu gastava tanto dinheiro com os exames que eu tinha que fazer, alguns doiam tanto, e o laudo era sempre desanimador.
Um ano, dois anos, três anos e eu ainda acamada. Olhava a vida passando pela janela e eu me perguntava até quando eu iria sangrar. Muito prazer, eu sou a mulher do fluxo de sangue.
Quatro anos, e eu só pensava como seria sair pelas ruas da cidade acompanhada das criadas aqui de casa para fazer compras. Ou como seria pode correr, poder se sentar à mesa para jantar acompanhada da família.
Eu estava praticamente falindo, todo o dinheiro que eu tinha servia para controlar o fluxo excessivo. Eu estava ficando louca.
Cinco anos, seis, sete, oito anos. Minha vida estava escrita nos lençóis da minha cama. Falava com Deus e o questionava sobre a minha condição, me perguntava onde eu tinha errado, não entendia o porquê. Eu me olhava no reflexo da vasília de água no meu quarto, minha aparência era de dar dó. Eu estava pálida, os lábios completamente sem cor, eu não me sentia feminina, eu sabia que não atriai ninguém. E por quê ser atraente quando se sabe que não pode amar, e que sem demora, a vida vai acabar?
Eu pensava assim.
Nove, dez, onze... Finalmente, doze anos. Me lembro de ter ouvido alguém falar de um homem que curava qualquer doença. Eu poderia fazer como muitos e desacreditar. Afinal de contas, eu havia gastado TUDO com médicos, com tratamentos e ainda sangrava a ponto de ter vários desmaios por dia e mal poder me sustentar sobre as pernas. Eu já não andava mais, eu me rastejava.
Aquele barulho na cidade, crianças e mulheres gritando que o tal Mestre estava chegando. Saí de dentro de casa, e imaginei como faria para passar por dentre a multidão ser ser pisoteada. Com toda a fé, cara e coragem eu fui.
Devagarzinho, eu cheguei perto Dele e que glória saia do cheiro de Cristo, que perfeito era estar quase enconstando em Cristo. 1, 2, 3 e já! Coloquei a mão na barrinha dos vestidos Dele e meu fluxo estancou instantaneamente. Pensei: "Meu Pai, se me pegam tocando no Mestre, tô perdida!"
Mas Ele perguntou quem havia tocado nEle, porque saiu virtude.
Se eu tinha coragem pra sair de casa naquele estado, eu tinha coragem pra dizer que eu O toquei, não é?
Logo que me apresentei, Ele disse: "Filha, a tua fé te salvou. Vá em paz; e sê curada deste mal" (Mc 5.34)
Ah, meu amigo... Eu fui pra casa. Sentei a mesa, me alimentei. Olhei novamente no reflexo da água naquela vasília, me vi corada, eu estava viva.
Precisa de cura? Libertação? Um milagre secreto? Um milagre público? Vá até o Mestre, seja livre como eu.

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